quarta-feira, 19 de setembro de 2007

A dor da perda...

Fisiologicamente falando, dizem que as piores dores são, nessa ordem: 1º dor de dente, 2º cólica renal ( quando se está expelindo um cálculo) e 3º, quase que equiparadas, a dor do infarto e a dor do parto. Me lembro dessa enumeração numa aula de Bioquímica, na faculdade...
E a dor da alma?? Onde ela vai , nesse “ranking da dor”? Bem, das dores fisiológicas, eu conheço bem a crise renal ( tenho episódios de cólicas renais desde os 17 anos...). Das dores da alma, já experimentei algumas: perdi meu primeiro namorado na flor da idade ( ele faleceu aos 21, eu tinha 19), tive depressão, passei por um aborto...
Mas, depois que se é mãe, não há nada que cause maior tormento a uma mãe que a possibilidade de algo acontecer com seu filho... O simples pensar nessa hipótese dói mais que tudo o que já possa ter vivido em termos de dor.
Minha mãe sempre enxergou em mim um certo “atrevimento”, de não ter medo de encarar a vida de frente, ressaltando esse aspecto como qualidade. Não sei se sou assim, como ela acredita, mas nunca fui muito medrosa... Em algumas ocasiões, digo até que já fui um bocadinho imprudente (coisa da juventude, acho...). Ainda hoje, tenho medo de poucas coisas. Mas uma idéia me aterroriza: perder a Laís!
São coisas que antes de você ser “mãe” são meras estatísticas: x crianças morrem antes de completar 1 ano de idade, y novos casos de câncer infantil surgem todo os anos, n crianças morrem em decorrência de acidentes domésticos... Coisas que antes eram “deprimentes, mas parte da nossa triste realidade” passam a ferir o coração da “mãe” como um instrumento pontiagudo... Nenhuma mulher depois de ser mãe vê com os mesmos olhos as crianças que pedem nos sinais, a violência urbana que ceifam vidas como a do João Hélio, a fome das crianças africanas... Lembro-me que a primeira coisa que me passou pela cabeça quando soube do acidente da TAM em Congonhas foi: “será que havia bebês a bordo?”. Quando soube que sim, pensei no desespero das mães, que certamente tentaram proteger os filhos como podiam...
Por isso, hoje vejo de outra forma a preocupação de minha mãe conosco (e lembro dela, sempre me dizendo: “ quando você for mãe, vai me entender... É, mãe, como te entendo...). E vejo, com muita admiração, exemplos como o da Rê e o da Vanessa ... Hoje, visitando o blog da Rê (mãezona do Gabriel e doVinícius, que voltou pra sua “nuvem fofinha” no ínicio do ano, após lutar bravamente contra uma leucemia), conheci a história da Vanessa, do Heiko e do Sebastian. Sebastian partiu para o Céu há 1 ano atrás, vítima de um câncer infantil, deixando aqui nesse mundinho muitas saudades...
Sinto uma profunda admiração, respeito e carinho por essas mães, que lutaram pela vida de suas “pedras mais preciosas”, agarrando com unhas e dentes qualquer possibilidade que lhes permitisse desfrutar da companhia de seus filhos, que lhes dessem a chance de ver seus filhotes crescidos, homens de bem, felizes, realizados. Sim, sabemos que a nossa hora de partir é determinada por Deus, bastando estar vivos. Poucas coisas são tão democráticas quanto a morte: todos iremos, cedo ou tarde. Mas ver seu filho partir é avesso à ordem natural das coisas, é enterrar seu próprio futuro...
Não há como dizer que imagino o que sentem, pois aprendi há tempos que o sofrimento é sempre sui generis: não há como comparar sofrimentos, cada um tem sua história de vida, cada um sente e sofre de uma forma, cada um desenvolve sua forma de lidar com a dor... Não tem certo, nem errado... O importante é ir em frente! E essas duas mãezinhas, cada qual a seu estilo, têm dado um exemplo de dignidade, força, fé... Fazem de seus cantinhos na internet verdadeiros pontos de utilidade pública, demonstrando que mesmo daquela que acredito ser a maior das dores da alma, há de renascer a esperança...
Minha sincera admiração a todos que, no meio de um furação, pensam no próximo...
Ah, sim... Assim que acabar minha semana de provas, quero me cadastrar como doadora de medula óssea. Aviso assim que o fizer...

2 comentários:

Fernanda disse...

É amiga, nem fala!
Bjks

Anônimo disse...

É Cris, so de ler e pensar em perder ja to aqui em lagrimas. Achei q esse medo so passasse na minha cabeça, rs!!!
Bjos e q Deus nos abençoe a jamais ter esse tipo de perda.
Amamos vc